sábado, 28 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Actividade física durante a gravidez
"...O envolvimento em actividades físicas durante a gravidez ou a continuidade do trabalho até aí efectuado são, geralmente, vistos com muitas reticências. Tal facto parece prender-se com a falta de informação relativa ao tema, nomeadamente da parte dos profissionais de saúde, bem como às diferentes e, muitas vezes, divergentes opiniões dos sujeitos circundantes do universo da grávida. Pretendemos, com este estudo, conhecer as opiniões de diferentes grupos de indivíduos no que respeita à prática de actividade física durante a gravidez, nomeadamente: i) distinguir as opiniões de grupos de médicos com e sem especialidade em obstetrícia; ii) distinguir as opiniões de grupos de médicos obstetras, grávidas e profissionais de fitness; iii) distinguir as opiniões de mulheres e homens pertencentes à mesma geração; iv) distinguir as opiniões de sujeitos, homens e mulheres, pertencentes a gerações diferentes. Os resultados sugerem que não existe um corpo de conhecimentos consistente e consensual relativo à prática de actividade física durante a gravidez, apesar de nenhum dos sujeitos inquiridos se ter mostrado discordante com a mesma..."
Actividade física durante a gravidez
Susana SOARES, Ricardo FERNANDES
Universidade do Porto, FCDEF
susana@fcdef.up.pt
Actividade física durante a gravidez
Susana SOARES, Ricardo FERNANDES
Universidade do Porto, FCDEF
susana@fcdef.up.pt
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O Republicanismo como resposta ao Totalitarismo
"...Normalmente se explica o ressurgimento do republicanismo como uma tenativa de
correção do que se considera fracassos do liberalismo (apatia, falta de interesse,
individualismo extremado, corrupção etc.). O que leva a supor que, se o liberalismo não
tivesse tais efeitos colaterais, o republicanismo não ressurgiria.
Para ela, o totalitarismo tem origem no liberalismo. Ele nasce de uma sociedade
despolitizada, marcada pela indiferença em relação aos assuntos públicos, pelo atomismo
social, pela individualização, pela competição, onde as instituições políticas são apenas uma fachada para interesses privados1. Por isso, somente uma concepção da política que promova a atividade (agency) e a pluralidade pode impedir a volta dos regimes totalitários. A ênfase na atividade, a participação, é que lhe torna republicana; e a ênfase simultânea na pluralidade diferencia seu republicanismo dos outros. Portanto, o objetivo é mostrar que o republicanismo é um antídoto contra o
totalitarismo.
O totalitarismo não foi o mesmo em todos os lugares (nazismo, fascismo, stalinismo
etc.), foi mais como um espectro, com diferentes graus de intensidade e totalidade. O que faz o Estado ser totalitário é que ele pretende a mudança total e/ou controle total dos aspectos que julga politicamente relevantes. Ele faz isso para promover “uma concepção total da vida” (expressão criada por Gentile) e um Estado que seja uma comunidade organicamente coesa.
Se comparado ao liberalismo, o republicanismo caracteriza-se por enfatizar uma
tradição diferente, que remonta principalmente ao humanismo cívico da Itália renascentista. Essa tradição começa com Aristóteles e sua idéia de democracia participativa, passamos por romanos como Cícero e Sêneca, adquire substância com os humanistas cívicos e o Machiavel dos Discorsi e ganha novos adeptos com Montesquieu, Jefferson e Tocqueville.
Essa tradição enfatiza virtudes cívicas tais como a honra, a participação, a
simplicidade, a honestidade, a frugalidade, o patriotismo, a integridade, a sobriedade, a abnegação, a laboriosidade, o amor à justiça, a generosidade, a nobreza, a solidariedade, a preocupação com a situação dos outros, a busca da glória etc.. Em contrapartida, repudia como vícios a corrupção, a ambição, a avareza, o orgulho, o egoísmo, a prodigalidade, a ostentação, o cinismo, a covardia, a extravagância, o luxo (no vestir, comer, beber e decorar)etc.
A principal diferença entre o republicanismo e o liberalismo é a concepção de
liberdade política – e a liberdade é o conceito central para ambos. Para o liberal, a liberdade é a autonomia, a não-interferência do Estado ou de outros sobre os assuntos privativos do indivíduo. O Estado só está autorizado a intervir na capacidade individual para prevenção de dano, isto é, quando existir a possibilidade de dano a um terceiro. Portanto, o indivíduo é a entidade política essencial, a ele devem ser submetidos os outros elementos. A comunidade e o Estado existem em prol do indivíduo. Isso faz com que se defina claramente a linha divisória entre o que é público e o que é privado (âmbito do indivíduo) e se defina o Estado como simples garantidor dos direitos fundamentais e a liberdade como garantia dos direitos
fundamentais..."
Trecho do Livro de
Lincoln Frias
O Republicanismo como resposta ao Totalitarismo
correção do que se considera fracassos do liberalismo (apatia, falta de interesse,
individualismo extremado, corrupção etc.). O que leva a supor que, se o liberalismo não
tivesse tais efeitos colaterais, o republicanismo não ressurgiria.
Para ela, o totalitarismo tem origem no liberalismo. Ele nasce de uma sociedade
despolitizada, marcada pela indiferença em relação aos assuntos públicos, pelo atomismo
social, pela individualização, pela competição, onde as instituições políticas são apenas uma fachada para interesses privados1. Por isso, somente uma concepção da política que promova a atividade (agency) e a pluralidade pode impedir a volta dos regimes totalitários. A ênfase na atividade, a participação, é que lhe torna republicana; e a ênfase simultânea na pluralidade diferencia seu republicanismo dos outros. Portanto, o objetivo é mostrar que o republicanismo é um antídoto contra o
totalitarismo.
O totalitarismo não foi o mesmo em todos os lugares (nazismo, fascismo, stalinismo
etc.), foi mais como um espectro, com diferentes graus de intensidade e totalidade. O que faz o Estado ser totalitário é que ele pretende a mudança total e/ou controle total dos aspectos que julga politicamente relevantes. Ele faz isso para promover “uma concepção total da vida” (expressão criada por Gentile) e um Estado que seja uma comunidade organicamente coesa.
Se comparado ao liberalismo, o republicanismo caracteriza-se por enfatizar uma
tradição diferente, que remonta principalmente ao humanismo cívico da Itália renascentista. Essa tradição começa com Aristóteles e sua idéia de democracia participativa, passamos por romanos como Cícero e Sêneca, adquire substância com os humanistas cívicos e o Machiavel dos Discorsi e ganha novos adeptos com Montesquieu, Jefferson e Tocqueville.
Essa tradição enfatiza virtudes cívicas tais como a honra, a participação, a
simplicidade, a honestidade, a frugalidade, o patriotismo, a integridade, a sobriedade, a abnegação, a laboriosidade, o amor à justiça, a generosidade, a nobreza, a solidariedade, a preocupação com a situação dos outros, a busca da glória etc.. Em contrapartida, repudia como vícios a corrupção, a ambição, a avareza, o orgulho, o egoísmo, a prodigalidade, a ostentação, o cinismo, a covardia, a extravagância, o luxo (no vestir, comer, beber e decorar)etc.
A principal diferença entre o republicanismo e o liberalismo é a concepção de
liberdade política – e a liberdade é o conceito central para ambos. Para o liberal, a liberdade é a autonomia, a não-interferência do Estado ou de outros sobre os assuntos privativos do indivíduo. O Estado só está autorizado a intervir na capacidade individual para prevenção de dano, isto é, quando existir a possibilidade de dano a um terceiro. Portanto, o indivíduo é a entidade política essencial, a ele devem ser submetidos os outros elementos. A comunidade e o Estado existem em prol do indivíduo. Isso faz com que se defina claramente a linha divisória entre o que é público e o que é privado (âmbito do indivíduo) e se defina o Estado como simples garantidor dos direitos fundamentais e a liberdade como garantia dos direitos
fundamentais..."
Trecho do Livro de
Lincoln Frias
O Republicanismo como resposta ao Totalitarismo
A PROBLEMATIZAÇÃO DO PODER
"Colocando-se no âmbito das lutas, Foucault propõe-se uma analítica que visa não
desvendar a constituição interna do poder — o que seria observar o uso da mesma
racionalidade universalista que ele critica —, mas o que denominou o antagonismo; ou mais rigorosamente, o agonismo das estratégias. Trata-se, pois, de uma abordagem indireta, tal como a que pretende na genealogia do poder definir a sanidade pelos efeitos da medicina, e as relações jurídicas e políticas pela análise da prisão. Ora, lutas dos indivíduos são reações à individualização operada pelas relações de poder. É coerente, pois, que se materialize uma segunda concepção de sujeito, aquele que reage e luta, e isso apesar de ser ele um efeito que é produzido pelo poder. Esta reação "é uma forma de poder que faz dos indivíduos sujeitos. Há dois significados para a palavra sujeito: sujeito a alguém pelo controle e dependência, e preso à sua própria identidade por uma consciência ou autoconhecimento."Esta segunda
característica relativiza a importância das relações de poder, incluindo, ainda que de início obscuramente, a condição de luta "contra aquilo que liga o indivíduo a si mesmo e o submete, deste modo, aos outros (lutas contra a sujeição, contra as formas de subjetivação e submissão)." Até então, o Foucault da genealogia operara apenas com a primeira acepção, como a subjetivação primeira, a qual não inclui a segunda, porque não fornece para o saber de si senão a condição exterior, da ação do poder sobre uma individualidade já regularizada. Assim, o sujeito consumava-se como o resultado das relações de poder que o constituíam como tal, em um dado período da história. Tomar consciência de sua identidade ou remeter-se ao autoconhecimento significa, no entanto, mais do que meramente perceber-se dominado por forças exteriores que inclusive limitam o que deve ser conscientizado; ver-se significa
redimensionar esses resultados objetificados por relações de poder estabilizadas. Tal
regularidade dos mecanismos de poder, sob essa nova concepção, só se fazia possível pela modificação de relações anteriores. Essa mudança é decorrente de uma relação que Foucault define como relação de confronto."
Trecho do Livro de
Cesar Tadeu Fontoura
Michel Foucault e a problematização do poder
desvendar a constituição interna do poder — o que seria observar o uso da mesma
racionalidade universalista que ele critica —, mas o que denominou o antagonismo; ou mais rigorosamente, o agonismo das estratégias. Trata-se, pois, de uma abordagem indireta, tal como a que pretende na genealogia do poder definir a sanidade pelos efeitos da medicina, e as relações jurídicas e políticas pela análise da prisão. Ora, lutas dos indivíduos são reações à individualização operada pelas relações de poder. É coerente, pois, que se materialize uma segunda concepção de sujeito, aquele que reage e luta, e isso apesar de ser ele um efeito que é produzido pelo poder. Esta reação "é uma forma de poder que faz dos indivíduos sujeitos. Há dois significados para a palavra sujeito: sujeito a alguém pelo controle e dependência, e preso à sua própria identidade por uma consciência ou autoconhecimento."Esta segunda
característica relativiza a importância das relações de poder, incluindo, ainda que de início obscuramente, a condição de luta "contra aquilo que liga o indivíduo a si mesmo e o submete, deste modo, aos outros (lutas contra a sujeição, contra as formas de subjetivação e submissão)." Até então, o Foucault da genealogia operara apenas com a primeira acepção, como a subjetivação primeira, a qual não inclui a segunda, porque não fornece para o saber de si senão a condição exterior, da ação do poder sobre uma individualidade já regularizada. Assim, o sujeito consumava-se como o resultado das relações de poder que o constituíam como tal, em um dado período da história. Tomar consciência de sua identidade ou remeter-se ao autoconhecimento significa, no entanto, mais do que meramente perceber-se dominado por forças exteriores que inclusive limitam o que deve ser conscientizado; ver-se significa
redimensionar esses resultados objetificados por relações de poder estabilizadas. Tal
regularidade dos mecanismos de poder, sob essa nova concepção, só se fazia possível pela modificação de relações anteriores. Essa mudança é decorrente de uma relação que Foucault define como relação de confronto."
Trecho do Livro de
Cesar Tadeu Fontoura
Michel Foucault e a problematização do poder
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A GÊNESE DO FILOSOFAR
A reflexão da gênese do filosofar nos leva por caminhos pressupostos e hipóteses, talvez particulares, talvez identificáveis na análise realizada por filósofos a respeito desse tema. Heidegger afirma que a única maneira de sabermos quem somos nós homens é através da descrição de como somos no mundo e das nossas características comportamentais. Além disso, cita que o homem é o único fazedor de mundos. Sendo o homem o único fazedor de mundos, podemos acreditar que para realizar essa ação o homem precisou passar por diferentes tipos de visões do mundo, já que para fazer um mundo é necessário olhá-lo de diferentes maneiras, de admirá-lo como possibilidade de transformação e construção. Essas visões de admiração que, segundo Platão, estão presentes na nascente filosófica de cada um que despertou ao filosofar, construindo mundos a partir de um maravilhamento antes não sentido, um espanto, um estranhamento no olhar, uma surpresa com as coisas ou com o mundo por ele ser como ele é. E é a partir desse espanto, de ver como se fosse a primeira vez, que o homem se admira e transforma-se, descrevendo e criticando a maneira como somos no mundo e nos tornando fazedor de mundos e de outros homens em si.
A partir desse momento, acontece a ruptura com o automatismo, com o óbvio, com a cristalização do significado. E é a partir dessa intuição filosófica, citada por Bergson, que acontece a atitude filosófica, atitude de tensionamento no limite do dizer e do pensar, desistindo do fim restritivo e aceitando novos começos, recomeços e aberturas. O homem então percebe que existe muito silêncio no que está sendo percebido. Inicia-se um movimento interno de reflexão e de admiração ingênua, que como cita Bornheim, é uma atitude consciente, de afirmação e abertura, de rompimento com o dogmatismo. E esse rompimento surge como mudança, pois antes aceitava o mundo como dado, já feito e não lhe ocorria colocar em dúvida esse mundo.
Quando acontece a quebra desse dogmatismo e o homem principia na admiração ingênua, ele percebe que traz em si a forma inteira da condição humana e coloca-se em movimento por si mesmo e então se percebe com uma nova consciência. Uma consciência em movimento, que pode vir a se tornar imortal, conforme Platão representa em Fedro, na demonstração da imortalidade do que se move por si mesmo. Segundo o filósofo, o que se move a si mesmo é imortal, ao passo que, naquilo que move alguma coisa, mas, por sua vez, é também movido por outra, a cessação do movimento corresponde ao fim da existência. Somente o que se move a si mesmo não deixará de mover-se e, sendo assim, constitui também fonte de movimento para as outras coisas que se movem. Desta maneira, o despertar à filosofia inicia a partir de um movimento interno, reflexivo e admirativo, gerado pelo próprio homem, que corresponde ao princípio de uma outra existência. E esse princípio constitui algo inato, pois é a partir de um princípio que necessariamente assume existência tudo aquilo que existe.
A experiência negativa, da dúvida, gera a supressão provisória do conhecimento e essa dúvida aguça o espírito crítico próprio da vida filosófica, provando, desta maneira, a eficácia da dúvida, já que a consciência da ignorância provoca a interrogação daquilo que ignora, levando ao conhecimento, que é a supressão da ignorância. O homem percebe que ama o conhecimento e passa a buscá-lo, pois se pergunta pelo sentido da sua própria existência. Enxerga o mundo exterior abandonado e isso é sentido de insatisfação. O homem toma consciência de sua própria miséria e problematiza a condição implícita de mundo. A dúvida surge como um estágio bastante adiantado da filosofia, segundo Bornheim, já que a dúvida supõe outras filosofias, pois apenas a partir de uma saturação de conhecimentos e de pontos de vista existentes pode a dúvida surgir e impor-se como necessidade. Mas, em contrapartida, Santo Agostinho nos alerta sobre aqueles que buscam o conhecimento e amam o conhecimento. O despertar à filosofia pode ocorrer a partir do momento em que se percebe que ama o saber, que ama saber mais, que ama aquilo que sabe e deseja saber e descobrir outras coisas. Esse seria o verdadeiro sábio. Ao contrário do curioso, que ama saber o desconhecido e, desta maneira, odeia o desconhecido e deseja que ele termine. A conversão filosófica ocorre quando o homem sente a abertura para o real e para o irreal, e percebe a liberdade como dom de si. Afinal, segundo Heidegger, o homem quer ao menos uma vez chegar ao lugar em que já está.
Do Livro SINAIS DO AMANHÃ
Felipe Szyszka Karazek
A partir desse momento, acontece a ruptura com o automatismo, com o óbvio, com a cristalização do significado. E é a partir dessa intuição filosófica, citada por Bergson, que acontece a atitude filosófica, atitude de tensionamento no limite do dizer e do pensar, desistindo do fim restritivo e aceitando novos começos, recomeços e aberturas. O homem então percebe que existe muito silêncio no que está sendo percebido. Inicia-se um movimento interno de reflexão e de admiração ingênua, que como cita Bornheim, é uma atitude consciente, de afirmação e abertura, de rompimento com o dogmatismo. E esse rompimento surge como mudança, pois antes aceitava o mundo como dado, já feito e não lhe ocorria colocar em dúvida esse mundo.
Quando acontece a quebra desse dogmatismo e o homem principia na admiração ingênua, ele percebe que traz em si a forma inteira da condição humana e coloca-se em movimento por si mesmo e então se percebe com uma nova consciência. Uma consciência em movimento, que pode vir a se tornar imortal, conforme Platão representa em Fedro, na demonstração da imortalidade do que se move por si mesmo. Segundo o filósofo, o que se move a si mesmo é imortal, ao passo que, naquilo que move alguma coisa, mas, por sua vez, é também movido por outra, a cessação do movimento corresponde ao fim da existência. Somente o que se move a si mesmo não deixará de mover-se e, sendo assim, constitui também fonte de movimento para as outras coisas que se movem. Desta maneira, o despertar à filosofia inicia a partir de um movimento interno, reflexivo e admirativo, gerado pelo próprio homem, que corresponde ao princípio de uma outra existência. E esse princípio constitui algo inato, pois é a partir de um princípio que necessariamente assume existência tudo aquilo que existe.
A experiência negativa, da dúvida, gera a supressão provisória do conhecimento e essa dúvida aguça o espírito crítico próprio da vida filosófica, provando, desta maneira, a eficácia da dúvida, já que a consciência da ignorância provoca a interrogação daquilo que ignora, levando ao conhecimento, que é a supressão da ignorância. O homem percebe que ama o conhecimento e passa a buscá-lo, pois se pergunta pelo sentido da sua própria existência. Enxerga o mundo exterior abandonado e isso é sentido de insatisfação. O homem toma consciência de sua própria miséria e problematiza a condição implícita de mundo. A dúvida surge como um estágio bastante adiantado da filosofia, segundo Bornheim, já que a dúvida supõe outras filosofias, pois apenas a partir de uma saturação de conhecimentos e de pontos de vista existentes pode a dúvida surgir e impor-se como necessidade. Mas, em contrapartida, Santo Agostinho nos alerta sobre aqueles que buscam o conhecimento e amam o conhecimento. O despertar à filosofia pode ocorrer a partir do momento em que se percebe que ama o saber, que ama saber mais, que ama aquilo que sabe e deseja saber e descobrir outras coisas. Esse seria o verdadeiro sábio. Ao contrário do curioso, que ama saber o desconhecido e, desta maneira, odeia o desconhecido e deseja que ele termine. A conversão filosófica ocorre quando o homem sente a abertura para o real e para o irreal, e percebe a liberdade como dom de si. Afinal, segundo Heidegger, o homem quer ao menos uma vez chegar ao lugar em que já está.
Do Livro SINAIS DO AMANHÃ
Felipe Szyszka Karazek
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